Desisto...

Quando o universo (ou sei lá no que você acredita...) conspira, o negócio é sair de fininho. Assim, saio de férias para tomar um banho de sal grosso. Vou pro Paraíso.

O melhor filme de 2005 eu assisti em 2006

Por não ter nenhum filme que eu tenha verdadeiramente ficado fascinado em 2005, não consegui formular uma lista dos melhores do ano. Porém, descobri hoje que o melhor filme de 2005 eu assisti em 2006. Aliás, quase todos os indicados ao Oscar 2005 só estrearan no Brasil em 2006.

Só para não dar o gostinho de ter mudado de assunto, ainda estou transtornado com o computador… mas tô pegando leve e fui ao cinema.

"Crash" é simplesmente soberbo. Um filme daqueles que se tornam inesquecíveis e já entra facilmente no meu hall de favoritos. O fantástico "Magnólia" de P.T. Anderson ganhou um concorrente de peso, pois essa história escrita e dirigida por Paul Haggis (o mesmo roteirista de "Menina de Ouro") é um êxtase emocional que suga todas as forças dos espectadores. É um filme tão complexo em termos de sentimentos, ações e reações, que me peguei umas duas vezes de boca aberta no cinema. É maravilhoso. Mas infelizmente grande maioria da população alienada não vai entender lhufas porque ele vai muito profundo no cotidiano das pessoas das grandes cidades.

Existe uma infinidade de filmes sobre a natureza humana e o quanto podemos ser um poço sem fundo de preconceitos e estereótipos, mas poucos conseguem causar tamanho impacto. "Crash" é um daqueles filmes raros, que só surgem de tempos em tempos e, sem dúvida, um dos mais poderosos que o cinema já nos ofereceu. Moral da história: será usado no próximo Treinamento AFS de Aprendizagem Intercultural.

Ainda falta assistir um dos indicados a Melhor Filme, mas a menos que eles sejam tão primorosos quanto "Crash", no que depender da minha torcida, o Oscar deste ano já tem dono.

Antes que perguntem o que eu achei do Brokeback Mountain, fantástico em termos de cinema e complexidade para retratar sentimentos e ainda a fotografia nos últimos 40 minutos é just perfect (durante todo o filme, mas no final é insuperável). Porém, me deu sono…

The files are gone... but the computer is still here...

Ok, hoje pouco antes do almoço recebi uma notícia que me fez perder a fome: impossível recuperar o conteúdo do meu HD (a fome, o sono, o humor, a disposição, a paciência, um monte de dinheiro...)

Nem um pouco mais consolado, mas com o computador na mão, resumo da situação:

1HD novo mais mão de obra = 700 reais; Horas de sono: 2; Sitema operacional novo de presente: economia de 375 reais; Não saber usar o sistema novo e deletar todos os emails das útimas duas semanas: priceless; (de verdade, com essa eu ri sozinho durante 10 minutos para não chorar...) pulsação: 96b/mim; pressão:157/88; Trilha sonora: absolutamente nenhuma, tenho medo de apagar mais isso do iPod quando conectar ele nessa bomba; (a trilha sonora foi a única coisa que sobrou...) Acentos: sim, depois de duas horas de briga, acho que consegui deixar o layout estável; Corel Draw não instala nesse sistema novo (vou trabalhar como?); sistema operacional insistindo em me chamar de Admin e não lucaswelter; fotos, que fotos? horas de trabalho perdidas, hum, melhor nem calcular; último back up: novembro último back up sério e confiável: agosto ícone do msn: a laranja ou a bola de tênis (fala sério... esse pessoal da microsoft...)

Não sei se é porque as férias tão acabando ou se é porque está começando esse intervalo gigantesco entre o carnaval e o reveillon, mas eu estou me sentindo assim: sonolento e sem entender muito as coisas. O que antes tava fazendo sentido agora não tá mais. De verdade não sei o que está acontecendo, maré de azar...

Preocupado? Hahahaha, não mais! Agora a minha vida tá andando sozinha e não tô com muita disposição pra tentar mudar nada, já fiz demais por ela nessas últimas semanas e acabei atrapalhando. Algumas coisas importantes eu aprendi ano passado graças ao zeca: "deixa a vida me levar: vida leva eu". A Lu (BSB) e a Denise colaboraram para diminuir o meu ritmo com os últimos telefonemas...

Pelo menos o sistema operacional novo do mac tem uma ferramenta que rastreia o teu computador: tu digitas o nome da coisa e ele em milésimos de segundo localiza para ti, tipo o que o gmail faz nas mensagens... Ele procura dentro dos arquivos também e não só pelo título... e tá servindo de desculpa para eu atualizar os programas.

Daqui duas semanas vou procurar a Datarecover e ver o que dá para fazer pelo HD. Enquanto isso, na Sala da Justiça...
Ok, acabou o download do programa que grava dvd... cama pra mim...

Espero estar mais animado no próximo post. Bjzzzzz

Meio off-line.

Passei uma semana em casa trabalhando muito nuns relatórios e reports, escrevendo un paper para um congresso, levando a vida bem a sério.

Quinta-feira meu computador trancou (emperrou, travou...) de uma forma inexplicável. Achando que era uma simples falha de sistema, liguei para o Cicero (grande amigo, brother, irmão, camarada... sei lá como você define um super amigo...), que se dispôs a sair de São Leopoldo e ir a Porto Alegre buscar no meu apto os dvds de instalação do sistema do Mac, colocar numa caixa e despachar para Antonio Prado via serviço de encomendas da rodoviária de Porto Alegre... Tento reinstalar o sistema operacional e nada. O computador morreu mesmo. Confesso que ele vinha fazendo uns barulhos meio estranhos, mas quem não faz?

Desde segunda ele encontra-se no hospital (assistência técnica...) sendo atendido pela competente equipe da Soma Computação. Falha no HD foi o meu diagnóstico inicial. Os médicos ainda não divulgaram o boletim médico, mas tudo parece confirmar a falha no HD.

Obrigado a todos que já se engajaram na corrente de orações, aqueles que encomendaram uma macumba nervosa pró-mac, aqueles que estão fazendo pensamento positivo em nome dos arquivos do AFS e do UFRGSMUN... Se você quiser contribuir, uive na frequencia certa todos os dias às 6pm (-03GMT). Obrigado pelo apoio neste momento de muita dor.

Falando um pouco sério, acho que será possível salvar os arquivos (tenho expectativas - na verdade perguiça só de pensar no que eu terei para reeescrever caso o tratamento não seja bem sucedido...), mas vou ter que trocar o HD, brincadeira que vai sair uns mil reais e levar uns 10 dias. Enquanto isso, estarei meio off-line. Para aqueles que estão se perguntando, mas não é o tal computador que não trava?, explico: de fato o sistema operacional do Mac não trava com a frequencia do Windows, é bem mais estável (já tive 22 janelas abertas ao mesmo tempo... com 14 programas diferentes rodando...), mas no meu caso o problema foi hardware e não software. Ah, o HD é Toshiba. Tentarei me manter comunicável durante esse meu período de férias forçadas.

By the way... meu blog ficou horrível no Windows Explorer... que fonte medonha é essa??! e a explicação que ocupa a janela toda??? que programinha mixuruca... vou ter que fazer um curso de html urgente... tô me sentindo um amador em artes gráficas...

Para onde foram as minhas lembranças?

O AFS Brasil faz 50 anos em 2006. Procurando algumas fotos tiradas há alguns anos para uma exposição comemorativa do AFS encontrei meus álbuns enquanto estudante de intercâmbio em Porto Rico (1994/95), e (re) vendo todas eles eu senti que grande parte das minhas lembranças da adolescência morriam ali.

E de fato morreram.

A gente tende a conceder juízos emocionais a fotografias como se na realidade elas pudessem representar todos os sentimentos complexos que já tivemos. Na verdade não todos, mas os extremos: o saudosismo ou a raiva, a felicidade completa ou a tristeza profunda. É impressionante como conseguimos simplificar numa impressão todo o período de uma vida.

Os anos não voltam - inevitável verdade - com fotos, vídeos ou em quaisquer outros suportes. Os sentimentos também não voltam, eles nos acompanham e se transformam de acordo com nossas novas visões de mundo e dos próprios sentimentos que temos.

Todos os dias penso em voltar, em mergulhar num passado sem surpresas, organizo reencontros, revejo amigos, mas o tempo insiste em não voltar. Insiste em testar minha persistência, insiste em me desmoralizar, em desafiar meu saudosismo e minha vontade de dominar o tempo.

As tentativas de reviver cheiram a leite azedo, tornam-se sofridas, fugidias. Não é este momento, não são mais as mesmas pessoas, são representações não lúcidas de uma realidade que não existiu. São simbólicas e perfeitas - e por isso vazias, por isso que elas não preenchem nossos corações, não tapam o nosso vazio, embora despistemos esta que era nossa esperança e continuamos nossa eterna busca no passado por algo que possa ter gerado estas sensações incompletas de hoje.

Não adianta, a gente envelhece e por mais que nos esforcemos, estamos sempre nos acomodando. Perdi a inconseqüência, ela fugiu em disparada há muito tempo. Perdi a intuição, perdi a coragem de fazer as coisas sem pensar, dar uma chance ao fortuito sem que a lógica e a racionalidade pudessem decidir todo e cada ato de minha vida. Acho que eu deveria lutar contra a apatia, a chatice. Mas a falta do hábito nos torna burocráticos, retira nossa inventividade, coragem e criatividade. Nos prendemos numa rotina que parece prisão tamanha a dificuldade de mudança. E mesmo estas mudanças são inúteis e voltamos correndo com medo à rotina.

Permanecemos no claro para evitar nosso medo desesperador da escuridão. Me afligem os apegos materiais de minhas lembranças. Parece que minhas recordações estão sumindo do consciente, parece que só com minhas fotos terei meu passado guardado, parece que as lembranças traumáticas insistem em tomar o lugar dos grandes momentos de minha vida que estão sumindo, que estão guardados nos meus álbuns de fotos.

O passado vem antes do presente. Verdade óbvia que foi dita numa canção para que engulamos a seco todas nossas esperanças de tentar viver no passado e não existir futuro. Se pudéssemos controlar o passado não temeríamos tanto, não sofreríamos tanto. Não teríamos tanto medo de perder pessoas, de perder lugares, de perder um tempo que não volta, medo talvez de nuca mais sermos os mesmos.

Para onde foram as minhas lembranças?

PS. Meio pessimista esse meu ponto de vista. Reflexos de Schopenhauer? [li a Cura de Schopenhauer – Irvin Yalon – recentemente. Recomendo, mas não deixe a visão pessimista dele – Schopenhauer – te abalar por muito tempo.]


Tour com a escola (Yauco High) para o recife de Corais de Magüey. Segurando uma espécie rara de ouriço do mar branco – coisas que só o Caribe faz por você [abril de 1995]


Cara de gurizinho... e bronzeado [momento raro na minha vida], carro da família em Porto Rico. O adesivo dispensa comentários... [junho de 1995]

Bom guri.

11:00 AM Posted by Lucas Welter 0 comments
Como eu me comportei em 2005 e tentei ao máximo ser uma boa pessoa – eu fui um bom gurizinho... – , o universo (ou seja lá no que você acredita…) me recompensou devolvendo um grande amigo. Explico: durante algumas séries do primário meu melhor amigo se chamava Fernando Bordin. Lá pela sexta série ele mudou de cidade e perdemos o contado. Em 2005 conheci outro Fernando Bordin [não é o mesmo, são duas pessoas com o mesmo nome – o universo ou sei lá no que você acredita conspirou...almost cosmic, isn’t it?].

O Bordin (esse novo...) acabou se tornando muito presente na minha vida, a ponto de eu sempre me referir a ele como o meu mais novo melhor amigo. Admiro muito ele pela dedicação ao UFRGSMUN e por tudo o que ele entende de ONU e diplomacia (broad sense). Valeu Fernando pelas horas de convivência, pelas tardes no MSN, pelas divergências e interesse em design (hehehe), pelos conselhos UFRGSMUNianos, pelos muitos minutos no telefone, pelos almoços na arquitetura. Que continuemos com tudo isso em 2006 e sempre!

PS1. Ontem foi um dia como todos deveriam ser: vadiagem pura. Almocei com o Bordin à 1 da tarde e ficamos conversando sobre tudo, sobre nada (like old friends should talk...) até às 11h da noite.

PS2. Na verdade o bom guri do titulo é o Bordin.
Eu sou o gênio do mal ;)

PS3. Sim, antes que comentem, eu tenho uma coleção pessoal de sinais ortográficos [travessões, pontos, parêntesis...], e adoro bagunçar os textos com eles. Tem que ter raciocínio rápido...

Ah, o tempo passa.

10:51 AM Posted by Lucas Welter 0 comments

Da série sim, o tempo passa
Muito tempo atrás...
Foto com minha família hospedeira em Porto Rico [Porto Rico não é a Costa Rica – geograficamente analfabetos...], tirada em 1995 durante intercâmbio com o AFS.


Algum tempo atrás...
Com a Lucy e o Pedro em 2000, também em Porto Rico, em casa (!!)


Pouco tempo atrás...
Novamente com a Lucy e o Pedro, no calor porto-riquenho após 1 metro de neve em NYC. Janeiro de 2005.

Saudades da Pré-escola? Eu não. Faço isso todo dia...

Outro dia eu pedi que me arrumassem uns programas legais. Confesso que meus amigos tem feito esforços. Por exemplo, a Deby, ontem saiu de Novo Hamburgo e veio para POA para sair comigo. Programa light, conversamos um montão embalados por água sem gás e água com gás. Aliás, conversar com a Deby é algo muito especial, acho que não consigo colocar em palavras. Ela ficou me contando maravilhas de um intercâmbio que ela fez recentemente no Canadá onde deram uma aula muito legal sobre planejamento usando Lego. Eis que Lego é uma excelente lembrança da minha infância. Da pré-escola.

Minha mãe sempre achou que eu quis fazer arquitetura porque nunca quis abandonar os lápis de cor. Nem os hidrocores, nem as tintas, nem os papéis legais, nem a cola, muito menos a tesoura e todas aquelas coisas legais do jardim de infância. Faculdade de Arquitetura é quase isso: um upgrade no teu jardim de infância. Quando eu estava no primário, lembro de todo ano no começo do ano letivo nós saíamos para comprar material escolar. Deviam ser momentos de tortura para a Dra. Sirley. Além de gastar horas dentro da papelaria, saia com a conta bancária bem mais baixa. O máximo eram as caixas de lápis de cor de 36 cores (honestamente, umas coisas duras que nem pintavam direito). Outro dia, andando com um amigo meu na rua, quando contei que existem caixas de 120 cores ele quase teve um ataque. Eu gostava mesmo era de giz de cera. Lá pelas tantas, ganhei da minha mãe uma caixa de giz importados, Caran d’Ache, a oitava maravilha do mundo. Depois, uma tia artista me deu uma caixa de lápis de cor alemães, a nona maravilha do mundo. E depois vieram os hidrocores com cores legais, as aquarelas importadas e no ano passado, nos USA, tive coragem de comprar um outro estojo novo de hidrocores.

Confesso que mantenho um estoque pessoal de material de desenho de fazer inveja a muita papelaria. Acho muito legal ter a mesa cheia de copos de vidro com canetas, canetas coloridas, hidrocores e todo tipo de parafernália sempre a mão. Mesmo que não use mais. O computador eliminou muito disso, mas confesso que ainda não deu a agilidade necessária para substituir completamente. Acordei criativo, expressivo. Ataquei a caixa de aquarelas e comecei a pintar, fazia muito tempo que não pegava nas tintas... ando meio destreinado. Ano passado nos USA, fui obrigado a trabalhar bem mais com papel e canetas do que eu imaginei, então senti o drama dos anos longe do desenho. O computador, de fato, não acompanha o raciocínio da forma como uma caneta nas mãos acompanha.

Acho que no fundo minha mãe estava certa. A arquitetura foi uma grande desculpa para ficar por perto dos lápis de cor e nunca deixar o lado legal da pré-escola. Mas por um lado, eu não posso me queixar de saudades, afinal, ainda conservo e uso os hidrocores e lápis de cor e eles, agora, são bem melhores.

A diferença entre um adulto e uma criança é o preço dos brinquedos
Não sei quem disse, mas é bem verdade.

Deby, valeu pela companhia!


Aquarela by Lucas. Dia de chuva em Porto Alegre

One year ago...


Há exatamente um ano atrás eu tava aqui.
Da série: Pontes do Mundo.
Converging lines masterpiece. O terror dos arquitetos...


Essa vai de troco. Momento introspectivo, dos outros, é claro. Dica: The coldest winter I spent was the summer in San Francisco.

Semana passada vi um filme desses bem água com açucar, classificação "domingo à noite" (daqueles para não começar a semana pensando), e eis que o filme foi todo gravado em San Francisco e fazia questão de mostrar San Francisco e as coisas tradicionais de San Francisco: bondes, Golden Gate, Alcatraz, Castro, casinhas vitorianas, parques, Mission Dolores, Union Square... Just like Heaven (E se fosse verdade) é uma história legal, mas o grande forte são os atores, bem esforçados para a coisa dar certo. Vale a pena conferir se: 1) for domingo à noite; 2) relacionamentos não forem um problema na tua vida; 3) tu fores apaixonado por San Francisco (e eu nem sabia que o cenário era esse...).

Make it happen!


Frankfurt Int. Airport. Hora dessas.

Da coleção Airports of the World.
Da coleção Airports of the World que matam a gente de tédio.
Da coleção Abobados com uma máquina digital nas mãos.
Da coleção 2006 será um grande ano.

Mas como o resultado ficou agradável, estou dedicando a foto para a Mari Grangeiro, que sempre foi fã incondicional do blog e deixou um scrap encorajador (!!) no meu orkut. Mari: make a wish and make it happen in 2006.

Porto Alegre, 43 graus (sem fotos, afinal, para que ter provas desse crime?)

8:04 AM Posted by Lucas Welter 1 comments
Um morador de Porto Alegre é um sobrevivente. Muito mais que o nordestino de Euclides da Cunha. O porto-alegrense resiste a várias catástrofes climáticas anuais. Isso quando não enfrenta todas no mesmo dia. Sem direito a qualquer ajuda do governo para comprar ventilador quem dirá construir piscina ou comprar ar condicionado (taí uma boa idéia para subsídios federais...).

Em 2005, o outono caiu numa quinta-feira, das 20h30min às 21h. Já a primavera, mais longa, caiu numa tarde de domingo. No restante do tempo, oscilamos entre o inverno e o verão, com a mesma regularidade dos trabalhos do Congresso.

Temos o privilégio (duvidoso...) de suportar um inverno que pode ser frio e úmido, ainda que intercalado por semanas de muito calor e noites indefinidas. Sempre que convido alguém para vir a Porto Alegre e me perguntam sobre o tempo, a resposta tem sido: venha preparado para as 4 estações, elas tem caído todas no mesmo dia.

A maioria da população de Porto Alegre não tem qualquer sistema de aquecimento em casa. Muita gente se esquenta com uma estufinha ou com um cobertor nos joelhos. Isso me lembra de outro drama daqui: o banho no inverno. Drama para aqueles que só possuem chuveiros elétricos, que para sair água quente é preciso fechar bem a torneira, resultando na liberação de 3 pingos a cada 5 minutos, antes de a resistência queimar e dar tempo de esfregar as costas. Algo contraditório, pois contribui para a economia no consumo de água durante o inverno, juntamente quando chove bastante. Em compensação melhora os reflexos, já que é necessária muita sintonia entre o jogo do corpo e o pingo d’água.

Sobre o calor que estamos enfrentando, nem ouso comentar. Vá que alguém lá encima interprete errado e resolva me castigar ainda mais. Não adianta sermos mais cultos e politizados que o resto do pais se temos esse clima de pobre, que muda de opinião a cada meia hora. Acabo de voltar do Rio e acho que uma cidade sem mar como Porto Alegre deveria ter mais consideração com os seus moradores. Nunca passar dos 30.

DJ Tiesto



Eu fui! E foi muito legal, legal mesmo. Confesso que lembrei muito da Deby. Gosto muito mais dos DJs europeus, os brasileiros acham que musica eletrônica é só batida... O Tiësto não é o melhor do mundo à toa. Fez um super show, foi o cara mais empolgado que eu já vi. E tocou 4 horas! Sobre a festa, bom, a maior concentração de gente mal educada (talvez alucinada???) que eu já vi. Apenas 4500 pessoas... Fora isso, o ambiente tava também muito legal, a Marina tem um pavilhão de estrutura tensionada (arquitetês na área...), perfeito para música eletrônica. Não faltaram os lasers e nem toda a parafernalha necessária. E incrivelmente, o som tava no volume certo, não excessivo como em todas as festas que eu fui em 2005. Valeu cada centavo. E eu estava muito bem acompanhado (valeu meninas!!).

Word Press Photo Exhibition 2005 no MAM – Rio de Janeiro

7:59 AM Posted by Lucas Welter 1 comments
Volto a comentar: prometi dar atenção ao photoblog em 2006 e vou cumprir. As duas últimas semanas foram semanas de férias, intensas, pelo menos das atividades tradicionais... Vou relatando aos pedaços.

Estive no Rio de Janeiro (entre trabalho sério, férias com amigos dos USA e para curtir a companhia da minha hostess favorita – olha a moral Emmeline!) e fui na exposição do World Press Contest no Museu de Arte Moderna. A World Press é uma ONG holandesa dedicada a promover o trabalho de fotojornalistas e organiza um concurso anual com as melhores fotos. Cumprindo um grande tour pelo planeta chegou ao Rio de Janeiro e depois vai para Curitiba. Quem conhece um pouquinho do Lucas tradicional (nem eu sabia que vinha em outras versões...) sabe que eu sou fã de fotografia (tá, peguei leve com essa... mas deixemos de lado as formalidades). Atualmente acredito que fotografias jornalísticas não devam somente oferecer respostas, apenas registrar o que acontece. Boas fotografias jornalísticas devem fazer perguntas. E definitivamente as fotos dessa exposição fazem perguntas. Perguntas sobre o estado delicado em que anda o nosso planeta.


[Prédio do MAM: modernos ficam melhor em P&B... a cerquinha (ri-dí-cu-la) é por conta do Rio Fashion Week]

As pessoas quando olham para uma foto geram instantaneamente uma opinião ou impressão sobre ela. Pode ser por causa do conteúdo, das cores, da forma como a foto foi tirada, por casa de alguma relação que ela despertou no observador. Entre as que eu mais gostei está a foto abaixo de um francês que trabalha para a Reuters chamado Pierre Holtz. Meus motivos? Bom, pragmaticamente falando, foi o contraste e o movimento. Secretamente ela serviu para lembrar que é possível sorrir no meio de situações adversas, me fez lembrar para em 2006 ser mais paciente com as dificuldades e com as perdas.


[Senegalese children run through a swarm of locusts in the capital, Dakar, on September 1. The locust invasion was the worst West Africa had seen for 15 years. By October, swarms reached as far afield as Crete, Cap Verde and Lebanon, devastating millions of hectares of crops. Adult locusts can consume their own weight in vegetation every day, stripping fields bare in seconds. Aid agencies said that the locusts had destroyed up to a third of the crop in African countries affected by the plague. The swarms were so large that usual methods of driving them off, such as banging steel pans and burning tires, were ineffective. Paradoxically, good rains in 2004, which led to healthy harvests, also created the ideal conditions for the locusts to breed faster.]

Andei meio ausente das fotos nos últimos tempos. Apesar de ter feito em 2005 uma exposição com algumas fotos de 2004, sinto falta de sair e fotografar sem compromisso (ou com compromisso...). Vou aproveitar para atender um pedido antigo: colocar no ar as fotos da exposição. O link está aí ao lado. São 22 fotos que eu tirei enquanto morava nos Estados Unidos, sempre enfocando a arquitetura universitária. São fotos que não fazem perguntas e nem acho que oferecem respostas. São fotos de arquitetura, para quem gosta de linhas, planos, pontos e lá de vez em quando, um referencial humano, apenas para escala ☺.

PS. Alguém tem algum convite legal pra passar o tempo de um jovem meio desocupado? hehehe…

Grandes Parceiros de Indiadas AFS

Tá daqui a pouco eu publico o texto dessa foto. Never mind. Essa gente não precisa de explicação. São amigões e acima de tudo encampam minhas idéias maluquinhas. Desejo um super ano novo para vocês! Que 2006 sirva de lição para os outros anos e também espero que as alegrias e as oportunidades continuem aparecendo.
Aos não-gaúchos: indiada= programa de índio= programa furado


[Lucas + Denise + Cicero]

Ainda sobre 2005...

Que cara mais chato... ainda fazendo reflexões sobre 2005! Bom, pelo menos a Gang mudou o Fuck you, 2005! e colocou um Welcome 2006!

Domingo saí com as gurias. As gurias são a Ane e a Leti, as duas critauras mais companheiras que eu conheço. Tive a oportunidade de fazer a seqüência do Depto de Urbanismo na Arquitetura com elas e de verdade nos divertimos muito (e também nos estressamos...). Acho que foi transmissão de pensamento. No domingo tinha escrito o quanto de certa forma não tinha dado atenção para elas e outras pessoas em 2005... e aí elas me ligam para sair.



Conversamos sobre 2005, sobre projetos, sobre planos para a vida, sobre trabalho, essas coisas que as pessoas fazem no final do ano. Resoluções também... Por isso estou colocando a foto aí de cima. Tiramos ela logo que eu voltei dos USA, em março desse ano. Guriaaaaas: amo muito vocês!

Aproveitando o post, dicas para o Reveillon [o meu será em Copacabana, hehehe]

MENINAS >> Se você deseja amor (entenda-se como amor ou sexo ou sei lá como você define amor), coloque uma calcinha vermelha (não serve aquelas de carinhas) durante a virada. Quando os fogos começarem a soltar, repare nos fogos vermelhos. Cada vez que você ver um, dê um pulinho bem discreto. Com isso, em 2006 virá muito amor pra você.

MENINOS >> Se voce deseja amor (entenda-se como sexo), não pense em colocar cueca vermelha nem nada. Basta ficar reparando nas meninas na hora dos fogos e se você ver alguma dando pulinhos discretos, vá em direção dela e dê uma rosa VERMELHA dizendo "quero 2006 com muito amor". Ela vai entender o recado.

2005

Às vezes me pergunto se sou um cara saudosista. Sempre achamos que o passado foi melhor. Aqui em Porto Alegre tem uma rede de lojas que lançou uma campanha pelo fim de 2005. Literalmente Fuck You 2005!

Pois eu vou sentir saudades de 2005. Lendo os 4 ou 5 posts que eu mesmo coloquei aqui e vendo o quanto eu amadureci este ano, sim, eu vou sentir saudades. Tem anos que realmente passam em branco. Eu tive um super 2004 e a foto abaixo foi de alguma forma minha despedida de 2004. Não imaginei que 2005 seria tão bacana, tão significativo. Passei os primeiros meses perdido, tentando voltar para casa após um tempo no exterior. Descobri que é bem mais compliacado do que parece e acho que a idade só complica isso, mesmo para quem sabe a teoria de cor. Mas colhi muitos frutos nas coisa em que eu me dediquei muito: AFS, Model United Nations, cultivar novos amigos, curso de coordenação de grupos, família. Acho que a grande chave aqui é tornar-se adulto. Lucas, bem vindo ao mundo dos adultos!



Fiquei em Porto Alegre neste final de semana, o que em se tratando de Lucas Welter é uma das coisas mais raras que pode acontecer. Sei lá, não tava a fim de ir para lugar nenhum, tinha uma que outra coisa para colocar em dia por aqui. Acabei pintando algumas paredes no meu apartamento. Preparando 2006. Aliás, estou pensando nas minhas resoluções para 2006 e confesso que quero realmente:

1) Acabar a Arquitetura, ou acabar com a arquitetura, antes que ela acabe comigo. Duela a quien pueda doler (espanhol eu sei...)
2) Tirar mais fotos que em 2005. Me sinto estranho por ter negligenciado a máquina fotográfica em 2004, mesmo tendo feito exposições e tudo mais. Este blog confirma isso. Mas prometo, 2006 será um ano de muitas imagens documentadas.
3) Realmente me dedicar ao blog. Não por nada, mas estou perdendo reflexões bacanas para mim mesmo apenas por ser relaxado e não escrever.
4) Continuar achando o AFS a coisa mais legal do mundo, mesmo depois de todos esses anos. Ok, ganhei novos desafios, novas possibilidades, espero estar criativamente a altura deles.
5) Estar mais próximo dos meus amigos de sempre. Quem é próximo ou (não) estava por perto em 2005 vai entender bem essa parte.

É claro, tem uma infinidade de outras coisas, mas algumas já vão acontecer sem eu pedir muito ;)
Acho que era isso. Beijos a todos e olhando para 2006 com grandes expectativas,
Lucas

Life is Good

Yeah, life is good. But, let me clarify this point: the way you see your life is up to you. Life is good is a popular t-shirt brand at colleges in the USA. Ok, now they are making much more than t-shirts, but their motto remains the same: Spreading optimism nationwide. And I made their words mine’s with a little balance: Do what you like, like what you do.

I’m saying that just because I like what I'm doing and consequently, I’m feeling very happy. I want to share with you some images of one of the most intense weeks in my recent lifetime. Not only because it's about what I’m doing in my life, but it’s also about creating a better world through understanding and tolerance among peoples. The images below are from a weeklong training for AFS volunteers and staff from 7 different countries held in Canela, RS, from 14th to 20th Nov. These volunteer and staff members, will make it possible for AFS to provide quality training to a much wider audience of volunteers and staff locally, regionally, nationally and mainly internationally, acting as trainers on my next training events on a more consistent basis. And they also had the opportunity to be exposed to an international environment and thank to that, strength their intercultural skills.


Intense because the agenda was a typical Lucas’ agenda: workaholic.


Intense because I had to work from 7am to 2am (next day) with no breaks.


Intense because I made some people work from 7am to 2am (next day) with no breaks.


Intense because the all time great discussions of what AFS is about.


Intense because intense also means powerful, concentrate, forceful, passionate, extreme, strong, like an AFS experience.

So, take my advice: life is good. Do what you like. Like what you do.

Roma, berço da civilização (e do caos...)

Saturday, July 30, 2005 6:38 AM Posted by Lucas Welter 0 comments
22 de abril de 2005

Roma não é uma cidade muito tecnológica, ou pelo menos, os romanos não são. Sexta-feira pela manhã decido comprar um teclado para o meu Macintosh. Pergunto aos guris (Kevin, o Greg e o Mike – colegas da Penn State obrigados a passarem um semestre em Roma, tendo aulas no Palazzo Pamphili – que inveja...) que dígasse de passagem, não estavam muito interessados em me ajudar após eu ter obrigado eles a caminharem durante a madrugada anterior pelo Fórum Romano, um lixão que tem lá em Roma, como diria outra grande amiga minha... Desconheciam lojas que vendessem Macs. Perguntei como faziam para comprar acessórios para Macintosh e me responderam que era só entrar no site da Apple, encomendar e em 3 dias chagava tudo, just like in the US, porém quando alguma greve de alguma classe trabalhadora italiana não atrasava tudo, very Italian, emendou um deles.

Sem ajuda dos meus colegas ‘quase nativos’, passei algum tempo no Google tentanto juntar palavras como Apple, Roma e vendita para ver se descobria uma loja que vendessem produtos Macintosh. Se tinha alguma coisa que o Palazzo Pamphili podia lembrar as Units da Penn State era a conexão de internet sem fio (e os montes de Doritos, Pringles, Gatorade e Light Coke espalhados pelos cantos, e os guris assistindo Family Guy – eles deixam os EUA, mas os EUA não deixam eles...)


[Penn State University Arch Studios @ Rome]

Voltando para ‘Mac loja’, descubro uma que, no pedaço do mapa que aparecia na tela do computador, não me parecia longe de algum lugar que eu já tinha estado... Aliás, em Roma, tudo parece perto (e de fato é...). Como sou um ser tecnologicamente correto, entro no Mapquest, forneço os endereços (meu e da loja) e acho o possível caminho por Roma, uns 8km de onde eu estava. Claro, o caminho calculado era de automóvel, dando votas em círculo (ah tá, até o Mapquest foi adaptado para o maravilhoso trânsito romano).

Com a Europa usando uma moeda impraticável para nós brasileiros (e para o resto do mundo todo, dizem os guris...) e dado meu estado quase falimentar, minha única chance seria caminhar até lá ou encontrar transporte público. Táxi nem pensar. Resolvo ligar para loja e perguntar como chego até lá. Com meu italiano afiadíssimo, liguei pra lá, mas quem disse que eu consegui entender as explicações que a menina da loja me dava. E ela repetia. E repetia. Fingi que entendi, fui até o metrô e comecei a procurar nos mapas como chegar. Essa é outra mania minha que já me meteu em encrencas, mas de metrô se vai a qualquer lugar. Só se for em Londres, Paris ou NYC. Em Roma, melhor ir andando, até porque o metrô tava em greve naquele dia...

Pego metrô (que ia parar em 30 minutos – a tal da greve), ando duas estações (parece piada), desço, entro num bonde que vai em direção ao Parque Olímpico. A tal da praça que eu deveria chegar ficava no meio do caminho. Olhei no mapa o trajeto todo, contei o número de quadras e decidi que devia descer depois de 8 quadras. Acontece que entre a rua e o trilho do bonde tinha um parque linear (não-arquitetos: um canteiro grande com árvores altas) que me impedia de contar as quadras. Instintivamente resolvi descer depois de um tempo. Caminho em direção ao rio (isso pelo menos eu sabia). Passo por um quartel e pergunto ao guarda onde ficava a praça que eu buscava. Ele pensou, pensou e disse que não sabia (tá, ficava só a 4 quadras dali). Continuo caminhando e chego numa praça a beira do rio. Talvez a minha? Abordo uma senhora num caixa eletrônico (se fosse no Brasil ela já tava pensando que era assalto...) e ela me responde gentilmente que estava na praça que eu buscava. Bom, faltava achar a loja Mac.


[Fórum Romano [Zaha or any other deconstrutivist was here...]]

Caminho, caminho e me deparo com uma maçã. Só podia ser lá. Entro em algo bem diferente da fotografia da internet, com caixas empilhadas por todos os lados. Gentilmente começo com o tradicional discurso: Io no parlo italiano molto bène. Alguém aqui fala inglês? Uma funcionaria se ofereceu para me ajudar, mas ela ria mais do que falava. Não sei se era de mim, dela mesma ou da situação: um nativo em português tentando comprar um teclado em inglês numa loja só com teclados em italiano, sendo que ela não falava inglês, eu entendia italiano, e quando eu falava só saia espanhol. Ok, com muita paciência ela encontra o tal do teclado em inglês. Ela desandou a rir mesmo quando eu resolvi testar o teclado, apenas para ver se os acentos saiam no lugar certo. Antes de inventarem o teclado internacional no Mac, acentuar era algo que exigia uns 4 dedos ao mesmo tempo... Ela ainda resolveu empacotar o teclado. Novamente acesso de riso. Só achou uma caixinha que cabiam uns 14 teclados lá dentro. Saio eu na rua com o monstrengo debaixo do braço, parecia que tinha comprado uma metralhadora.

Passo pelo quartel e resolvo dizer para o guardinha que a praça era prá lá, deixa prá lá, laggiu, lassu, muito trabalho com advérbios de lugar que eu não lembro mais. Volto para o bonde e chego na Piazza del Popolo, entrei nela pelo arco que dá uma vista indescritível do tridente. É uma vista que pede um uau! E olha que já tinha estado lá. Fiquei ali paralisado, bobo, imaginando o que devem exclamar pessoas que falam idiomas desprovidos de vogais, como alemão ou islandês.


[Piazza del Popolo - wow, uau, uhu, uia, coño, opa... sem vogal não dá!]

Tinha algum tempo antes de ir para o aeroporto. Meu roteiro parecia simples. Ir até a Via del Corso e seguir até a estação Termini, pegar a mochila, pegar um trem e seguir até o aeroporto. Parecia, porque mal sabia eu que eu levaria quase 3 horas para fazer um percurso de 35 minutos caminhando.

Chego na parada de ônibus. Um canteiro ampliado no meio da rua com gente pendurada. Sem cobertura, sem banco, só uma parada com o itinerário dos ônibus. Bom, tinha um que seguia para Termini. Largo a caixa do teclado, digo metralhadora no chão e espero pelo ônibus. E espero. E espero. 20 minutos depois e nada, chega um guri que chamarei de Carlo. O Carlo chega com uma mala maior do que ele (deduzi qe ia para estação) e espera. E espera. E espera. Depois de 40 minutos esperando ele decide caminhar. Depois de 10 minutos, já sem o Carlo para espelhar minha tragédia de espera, quando completei 65 minutos de espera decidi ir caminhando.

Chegando na parada seguinte, eis que passa o ônibus. Consegui entrar, quero dizer, consegui me agarrar na porta. O ônibus tava tão cheio que não cabia ninguém, imagina um cara com uma metralhadora. Obviamente não deixei a porta fechar até que aquele povo achasse um lugar pra mim lá dentro. Arrumaram e eu fiquei espremido por uns 30 minutos até que saíram algumas e eu pudesse ver onde estávamos. Estávamos numa rotatória pequena, nós e mais uns 50 veículos totalmente congestionados. É hoje que eu não volto para casa...

A cena mais indescritível aconteceu quando já dava para avistar a estação Termini. Eis que surge uma grande rotatória e pensei comigo mesmo: se for como na última (25m atrás), estou ferrado. Melhor puxar o freio de emergência e saltar ali mesmo. Munido de uma dose de paciência extra, encarei os fatos: bom, não deve demorar tanto assim, essa é bem maior do que a outra e eu ainda tenho tempo. Nisso avisto o Carlo caminhando com a malinha dele do outro lado da rua. Dois a zero pra ele. Rotatórias, rótulas e essas coisas que servem para fazer fluir o trânsito, em Roma não tem o mesmo objetivo. Acho que até serviam quando tinha duas ou três bigas no trânsito, mas dois mil anos depois, os romanos concluíram que é muito mais fácil dirigir com a buzina do que com o volante e do que acertar o trânsito.

Depois de 10 minutos em que o ônibus não saiu do lugar preso na rótula, caminhei ate a frente do ônibus para dar uma biaba na orelha do motorista, quando vejo que ele gentilmente deixava que um táxi saísse da esquerda para direita se atravessando na frente de 4 ônibus e trancando tudo por outros 10 minutos. Sorte dele que estava encerrado numa cabine de vidro a prova de som e carros bomba, porque com a minha metralhadora, digo teclado, ia fazer um baita estrago nele. Ainda foram outros 8 minutos até chegar na estação. Correndo, pego a mochila, compro a passagem e corro para o trem.

Entrando no trem, eis que surge uma criatura com uma mochila dessas com a qual a gente passa três meses fora de casa, entalado entre duas poltronas, impedindo as pessoas de circularem para chegarem aos seus assentos. Com um copo com Campari na mão, um cheiro de álcool que me fez me sentir em um posto de combustível, ele cantarolava Volare e perguntava se aquele era o trem para o aeroporto. Sentei longe da criatura, mas volta e meia era possível ouvir quando ele desafinava no Voooolare...

Trinta minutos depois, chego ao aeroporto. Quando vão inventar uma estação de trens dentro do aeroporto? Caminho com a minha mochila nas costas, minha malinha dependurada no ombro direito e minha metralhadora, digo teclado sob o esquerdo. Fila do check in (gigantesca)a funcionara da Lufthansa mais preocupada com as minhas poltronas e com a metralhadora, digo teclado, esqueceu de me cobrar os 78 euros de multa pela alteração da passagem. Bom, vão me cobrar dentro do avião... Passo pela segurança com o teclado, digo metralhadora – caixa muito suspeita – e chego no portão de embarque. Vôo lotado, só uns velhinhos alemães voltando pra casa. Se somassem a idade de todos os passageiros e diminuíssem o resultado do ano que estamos, acho que voltaríamos a idade dos metais...

Embarco correndo quando a funcionaria olha no me bilhete que eu estava embarcando dia 22 com uma passagem do dia 23. Me perguntou se eu tinha pago as taxas, me fiz de louco e não respondi nada. Ela também não falou nada. Quando o avião deu ré, pensei: escapei! De fato escapei. Só espero que ninguém da VARIG passe pelo blog.



Bom, Roma é mesmo uma confusão, um caos, mas mesmo assim é uma das cidades que eu mais gosto no mundo. As pessoas parecem estar tão habituadas a essa confusão que nem protestam, não reclamam, imagina isso nos EUA. Essas sutilezas culturais é que me fazem querer viajar.

Nonsense e hipocrisia

Friday, July 22, 2005 6:37 AM Posted by Lucas Welter 0 comments
Duas coisas básicas para o bom andamento do planeta: nonsense e hipocrisia. A vida fica mais leve com as doses certas.

Meus óculos deram a volta ao mundo em mais de 80 dias...

Monday, July 11, 2005 6:35 AM Posted by Lucas Welter 0 comments
Em setembro de 2003 estive na Alemanha, onde passei alguns dias na casa da minha amiga Frauke em Osnabrük. Dias depois continuei minha viagem pela Alemanha e chegando em Berlin, dei falta dos meus óculos escuros. Achei que tinham ficado pelo caminho, mas não tinha nem idéia de onde.

Quando voltei para o Brasil, passei uma semana em Natal/RN e nunca lamentei tanto ter perdido os óculos. Tenho outros, mas gostava daqueles. Não eram caros, mas também nem tão baratos... Tentei comprar outros, mas o modelo tinha saído de linha. Tempos depois, ainda procurava por aquele modelo.

Pula para fevereiro de 2005. Recebo um cartão da amiga que visitei em Osnabrük (Frauke), entregue por uma outra amiga brasileira, a Ângela, que tinha estado com ela em Hamburgo uma semana atrás. No cartão ela me perguntou se eu sabia a história dos meus óculos... boa pergunta, eu não sabia a história muito menos o destino dos meus óculos.

Na verdade meus óculos foram esquecidos na casa da Frauke na Alemanha. Quando ela encontrou, entregou para uma amiga em comum, Annette – diretora de programas do AFS Alemanha - entregar para um outro amigo em comum - Eduardo, superintendente do AFS Brasil - em um congresso que haveria em outubro, no Pananá. Nossa amiga Annette leva os meus óculos para o Panamá e casualmente os esquece em uma mesa em que almoçava com um outro amigo em comum (quantos amigos em comum...). Este outro amigo, Rolando - superintendente do AFS da Costa Rica - , pensando que o óculos eram da Annette, leva eles para Costa Rica, afinal, cedo ou tarde, amigos em comum (não sei mais quais deles...) se encontrariam. Rolando nem sonhava que os óculos eram meus.

Outubro de 2004. Novo congresso, nova reunião de amigos em comum, desta vez no Japão. Rolando (Costa Rica) leva os meus óculos para o Japão para devolver para a pseudo-dona, Annette (Alemanha). Esta recebe os óculos , mas (razões desconhecidas...) não os entrega para o Eduardo, que poderia me devolvê-los facilmente. Os óculos voltaram para Alemanha apos o tour japonês. E assim, voltamos para o começo da história. A Ângela encontra com a Frauke e a Annette em um seminário na Alemanha, mas também não recebe os óculos de volta e sim um cartão contando a história. A Frauke, assim como a Ângela, também soubera da história naquele momento. Meio cósmico...

Fiquei sabendo disso em fevereiro de 2005. Em abril, haveria um novo encontro de amigos em comum. Eu deveria encontrar com Mick – superintendente do AFS Alemanha e chefe da Annette. Escrevi para Annette e ela me contou que não tinha desistido de me devolver os óculos e que ela tinha plano de férias para eles: levar os óculos para o Panamá em uma outra reunião e entregar para um amigo paraguaio, o Tachi – hoje presidente do AFS Internacional, que levaria eles para Nova Iorque e deixaria lá para o Eduardo pegar lá por junho, em uma outra reunião. Quando contei que encontraria com o chefe dela (Mick) na Itália, ela me escreveu dizendo que não poderia negar a oportunidade de dar aos óculos um tour pela Toscana. Assim, tudo combinado.

Pula para abril de 2005, na Toscana. Encontro com o Mick (superintendente do AFS Alemanha) e pergunto pelos óculos. Ele não sabia de nada (??) mas achou a história bem divertida. Que consolo... Vou pra cama me perguntado o que deverá ter acontecido. No dia seguinte uma outra amiga em comum (Elisabeth), uma belga dessa vez, me entrega um pacote com os óculos e duas barras de chocolate. Finalmente os óculos voltaram para o dono, graças aos esforços de amigos em comum, porém com uma paradinha em Bruxelas...

Resumo dos fatos:
1 óculos perdido
+ 7 países
+ 9 pessoas envolvidas
+ 19 meses longe + duas barras de chocolate
= AFS